Há dias que custam mais a acabar. Não há dia nem noite em que não me ouças. E é assim que aprendemos a viver há sete anos. E eu jamais em algum momento da minha vida pensara que fosse possível viver sem ti, mãe. Mas tudo é possível, mesmo aquilo que nunca imaginamos poder superar. A verdade é que a vida continua - dizem que temos que seguir em frente e que não podemos mudar o que aconteceu. Sim, talvez sim. Talvez seja verdade que temos que conseguir seguir em frente porque a vida continua para quem cá ficou. E também é verdade que eu ainda quero poder fazer muita coisa que ambiciono neste meu percurso. Mas também é verdade que há certas dores que nunca passam e que temos que aprender a viver com elas.
Recordo-te por fotografias - ah! E como é imensamente reconfortante poder apreciar-te as feições e ver a tua alma a sorrir-me por detrás deste teu retrato - o teu cabelo que refletia delicadamente meio castanho avermelhado e a tua franja tão própria e sempre tão perfeita e acertada como tu gostavas de a trazer; os teus olhos castanhos e adocicados pela tua delicadeza e pureza que transmitias; a tua pele macia que me acalmava quando me tocavas e me permitias sentir-te.
Irei sempre idolatra-te e falar sobre ti. Porque não há nada mais reconfortante do que poder falar sobre ti e recordar-te, meu anjo da guarda. Cuida de mim como sempre fizeste.








