domingo, 23 de maio de 2021

Anjo da Guarda

Há dias que custam mais a acabar. Não há dia nem noite em que não me ouças. E é assim que aprendemos a viver há sete anos. E eu jamais em algum momento da minha vida pensara que fosse possível viver sem ti, mãe. Mas tudo é possível, mesmo aquilo que nunca imaginamos poder superar. A verdade é que a vida continua - dizem que temos que seguir em frente e que não podemos mudar o que aconteceu. Sim, talvez sim. Talvez seja verdade que temos que conseguir seguir em frente porque a vida continua para quem cá ficou. E também é verdade que eu ainda quero poder fazer muita coisa que ambiciono neste meu percurso. Mas também é verdade que há certas dores que nunca passam e que temos que aprender a viver com elas. 

Recordo-te por fotografias - ah! E como é imensamente reconfortante poder apreciar-te as feições e ver a tua alma a sorrir-me por detrás deste teu retrato - o teu cabelo que refletia delicadamente meio castanho avermelhado e a tua franja tão própria e sempre tão perfeita e acertada como tu gostavas de a trazer; os teus olhos castanhos e adocicados pela tua delicadeza e pureza que transmitias; a tua pele macia que me acalmava quando me tocavas e me permitias sentir-te. 

Irei sempre idolatra-te e falar sobre ti. Porque não há nada mais reconfortante do que poder falar sobre ti e recordar-te, meu anjo da guarda. Cuida de mim como sempre fizeste.


sexta-feira, 24 de abril de 2020

O tempo passa. O tempo passa e eu lembro-me de ti. Do teu cabelo castanho com reflexos vermelhos. Das tuas sobrancelhas desajeitadas e das tuas unhas mal pintadas. Lembro-me das tuas pernas magras e das varizes que tu não gostavas nada. Lembro-me da tua pele macia e sempre cheirosa que dava vontade de beijar. O cheiro da tua roupa... É isto que fica. Foste embora e eu jamais saberia que a vida sem ti seria tão difícil. O tempo passa e ainda tenho o cheiro da tua roupa aqui comigo. O tempo passa e falta-me tu.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Life's for the living

Mãe! Tenho tanto para te contar…
A tua falta em mim torna-se cada vez maior. É como um buraco escuro que fica cada vez fundo ao somar os dias em que não estás ao meu lado. Sinto falta da tua voz, do teu cheiro e da tua pele. Por muito que te procure nos sonhos e por mais que a tua presença pareça real nessa utopia, o acordar volta a despertar-me os sentidos e volto a saber que já não estás mais aqui. Será que estás num lugar onde me consegues ver? Quero acreditar que sim. Eu continuo aqui a ver as nossas fotografias e a contemplar o quão fomos felizes juntas! Pudesse eu ter-te de volta e dizia-te tudo o que queria que soubesses! São tempos complicados e quem me dera que pudesse pedir-te ajuda, para me aconchegares o peito contra o teu num abraço e para me apaziguares o coração. Nada é igual sem ti! Tenho passado por muito, mãe! Mas estou bem…
Espero que estejas bem, é tudo que mais peço!

Adoro-te!


sexta-feira, 3 de julho de 2015

a nightmare


Durante todo este tempo que estive fora do blog aconteceram coisas que deram outro rumo e outro sentido á minha vida. Perdi a minha mãe num acidente de viação no dia 18 de setembro de 2014.
Sinto muito a falta dela. Não consigo apenas quantificar a falta que ela me faz. Luto todos os dias para conseguir levar a cabo esta máscara de rapariga que ri por tudo e por nada e que está sempre bem disposta. Mas ás vezes não é assim tão fácil. Desde esse obscuro e horrível dia aprendi a dar valor a pequenas coisas que antes nem sequer dava. A alegria de ter connosco os nossos pais e irmãos é imprescindível para que consigamos viver em paz e em harmonia com o mundo. Metade de mim morreu naquele dia mas a fé ainda me segura em pé. Como não tive opção de viver sem ti, vivo com o pensamento de fazer sempre tudo aquilo que querias que fizesse. Eu sei que estás bem aqui ao meu lado e a ti só te tenho que agradecer por a incrível recuperação que tive desde o acidente. Obrigada por me teres dado a força que precisava para me agarrar ainda ás coisas boas que tenho nesta vida e de conseguir seguir esta longa estrada da vida sem ti presente. 
Mas como a fé é o que ainda me move, eu acredito que os nossos espíritos ainda se encontrem além e aí te possa abraçar e dizer-te tudo aquilo que não tive tempo para dizer.
Adoro-te, mãe.  


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sinto-me completamente perdida e vazia. Estou completamente exausta deste sentimento que me tortura todos os dias. Eu apenas não consigo. Só sei que dói, dói e dói. 

sábado, 3 de agosto de 2013

stay with me

Forras-me o coração a papel de seda e proteges-me de todo o mal que em mim se insurge. O tempo passa e os dias contigo cada vez são melhores. Ao longo de um tempo percebi que se acreditamos em alguma coisa temos que lutar por ela e nunca achar que está conquistada. Conquistas-me todos os dias e eu morro de amor por ti. Gosto das nossas noites, como a de ontem. Gosto de sentir a tua pele, de fazer miminhos na tua cara aquando me observas e dizes que sou linda e que me amas. São momentos únicos que nunca esquecerei, momentos que valem eternidades, eternidades que me fazem sentir feliz, feliz pela pessoa fantástica que és e pelo amor tão intenso e transcendente que nos une. Amo-te muito, - my love.

sábado, 8 de junho de 2013

Quando me apercebi, já eu estava noutro lugar a divagar numa outra paisagem. Habituei-me ao cheiro das plantas verdes e insólitas, aprendi a decifrar a música dos pássaros pela manhã como sinal de despertar. Senti que tinha um novo caminho a conhecer, mesmo estando na mesma estrada e mesmo sendo a mesma pessoa. Habituei-me aos risos pela manhã e às eternas despedidas ao entardecer. Senti que tinha algo a fazer, finalmente, por mim e por alguém. Os dias foram correndo à velocidade com que a memória foi esquecendo e quando dei por mim já eu estava envolvida num abraço incessante, que estava ali sempre para me aconchegar os ombros. A pior das incertezas é quando sabemos que temos tudo aquilo que nos faz sentir realizados e felizes e, mesmo assim, existe um pequeno espaço vazio, que incompleto nos faz sentir, em dias tristes e nebuloso, perdidos e, ao mesmo tempo, cheios de incertezas. Mas eu aprendi a amar-te, a amar-te mesmo quando esses dias tomam conta de mim, e por tudo aquilo que és para mim, amo-te.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Amo-te, meu príncipe


As histórias desvanecem nos olhos cansados de quem as ouve. Há sempre algo que fica por dizer e um bocado mais naquilo que se diz. Ficar é dizer em silêncio que se ama, é amar tanto que não há palavras que entendam, só há motivos que nos prendem àquele lugar. Peço-te para ficares quando já sei que ficas. Quando me acolhes nos teus braços e me despertas com um sorriso. Eu gosto que me faças estremecer, gosto quando sinto o meu corpo eufórico e entre a espinha sobe e desce um ligeiro arrepio que se interpela pela serenidade dos nossos olhos, porque no fundo, não há melhor declaração de amor do que um palpitar mais forte de coração. Contigo percebi que amar é ficar, é nunca nos fartarmos daquela pessoa, tê-la connosco é uma necessidade e não porque tem que ser. Amar é fazer tudo para que outro se sinta feliz, é sermos a felicidade do outro. É sermos o sorriso, uma das melhores razões para viver, é sermos o coração dessa pessoa. Amar somos eu e tu e mais ninguém. É fraquejar e ter sempre um ombro amigo para nos amparar e nos embalar. Mas contigo aprendi que fraquejar é criar forças, e que amar, amar é olhar para ti e ver nos teus olhos os meus, e saber que é lá que eles pertencem. E mesmo que digas que o amor é uma coisa assustadora, eu vou sempre pedir que me assustes.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sinto-me triste. Quando nos esforçamos para alguma coisa e esse esforço não é recompensado não há nada que nos deixe pior. Ás vezes apetece-me desligar do mundo e ter-te comigo para sempre. Preciso de ti e tu não estás aqui.

sexta-feira, 26 de abril de 2013


Dá-me a tua mão e deixa-me preencher os espaços dos nossos dedos. Deixa-me ficar assim para sempre. É aquela vontade estranha, aquele conforto imenso que não sabemos explicar. Já és tanto em tão pouco tempo. Quando me sussurras ao ouvido palavras doces como mel e no fim de cada frase contemplas ao dizer que me amas. Deixa-me dormir debaixo do teu ombro, dentro do teu coração. Deixa-me ser aquilo que de melhor posso ser. Já julguei que fosse uma missão impossível alcançar um amor assim: tão puro, tão natural, tão nosso. Quando olho para esses olhos feitos de céu e feitos de mim sinto que não há nada melhor no mundo do que um amor como o nosso. Aprendi que se mede um amor quando temos outro para medir e hoje digo que o nosso é tão maior do que o que eu julgara ser. E hoje só precisava de um abraço, como aquele forte e quase eterno como o de hoje à tarde. Amo-te. Mas amo-te pelo coração e não só pela expressividade do sentido da palavra.

domingo, 21 de abril de 2013



Inspiro e expiro paixão. Respiro um ar novo, um ar renovado chamado tu. Antes havia medo, agora já só há coragem, antes havia dor, agora já só há esperança, antes havia um eu, agora já só há um nós. E porque quem quase morreu está vivo, e quem quase viveu, morreu, eu quase desisti, mas continuo a tentar. E porque é assim mesmo, a vida é feita de tentativas falhadas e sonhos por concretizar. O meu maior medo? Perder-te. Dizem que nada dura para sempre, mas eu quero que tu dures. Sei que algum dia será o fim, e isso assusta-me. Assusta-me a ideia de um dia ter de continuar sem ti. Sei que te tenho no presente, mas e o futuro? Espero ter-te, espero poder acordar todos os dias com a certeza que te tenho. Amo-te.

É incrível como tudo muda. É incrível como o que nos fez um dia andar para a frente, hoje tem que ficar para trás. Sinto-me exausta. Distante de mim mesma. À medida que descanso, canso-me mais. As pessoas não notam, não questionam, simplesmente não se importam ou então fingem que se importam. És o meu único ombro amigo, vejo-te preso nos rebordos do meu coração. Não me fujas, nunca. Preciso de ti.

sábado, 3 de novembro de 2012



Sinto-me cansada e triste. Cansada por me sentir triste. Triste por me sentir cansada.
Ás vezes apetece-me desistir de tudo. Deixar tudo e levar-te só a ti comigo. Para um lugar longínquo daqui, sem ninguém saber. Sinto-me esgotada. Sujeita a grandes pressões e preocupações. É engraçado como tudo vem e como tudo passa rápido... de como as coisas conseguem perder ou ganhar significado. Sinto-me completamente cheia, cheia de tudo e nada. Sou melodramática. Estou com uma crise de choro e se me perguntarem o que se passa eu vou responder: "Eu não sei". Só sei que me apetece lembrar memórias antigas, águas que se evaporaram, que desapareceram, que se transformaram em algo que jamais diria ter conhecido. Sinto-me cansada. Cansada de não fazer nada. Do acumular de pensamentos, das dúvidas que se inserem. Sinto-me triste e cansada. Triste por me sentir cansada. Cansada por me sentir triste.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Tu estás cá, estás cá a suspirar o belo que é olhar-me intensamente com esses olhos, carentes mas não coerentes, com a pele vincada dos anos, abortada de feridas que ainda não cicatrizaram, com esse odor de que quem não soube agarrar as valias da vida e de quem caminhou sem ter o desejo de provar o que lhe outorgavam.
É aqui, que eu sinto o meu coração apertado e o meu corpo ausente de mim mesma, as lágrimas descem pelo meu rosto e fico estática a olhar para um tempo incerto que marca um longo percurso da minha vida.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Se fosse mesmo meu, nunca ia embora. As coisas que são outorgadas sem intenção perdem-se sem significado. Mas a que nos pertencem de verdade por inteira inato carne no corpo e sangue de alma, nunca se perdem. Mesmo que não estejam connosco, hão-de sempre ficar connosco, hodierna na nossa vida. Como uma escuta constante, imperceptíveis, perenes. Podemos até pensar que não, mas é verdade. Elas ficam mesmo connosco, porque nunca falecem. As coisas importantes ficam na mais vislumbre da memória, porque se as esquecermos, significa que nunca representaram nada.


Este estado nostálgico que se insere em mim e em ti e que nos refuta os dias e as noites está a coloquiar-me o espaço e a vivência.
Quando queremos muito uma coisa, lutamos por ela, e tu não lutaste por mim, gostando ou não de mim. A clarividência deu claridade ao sentimento que nos unia por uma utopia transcendente, mas que ao longo do tempo ganhou conformismo para assentir todas as evidências que nos foram dadas.
Uma afeição estrema, leal, célere em mim, no meu corpo e na minha alma, alunada por mim, pelo mundo. Nada mais sei dialetar, em vez disso, taciturno a voz num silêncio só meu onde consigo encontrar a voz ignóbil de petiz que diz que já sabe muito, quando não sabe nada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011




E tudo se foi.
Voou como se fosse uma necessidade de ir, sem questões. Não quis sequer vê-las. Tu foste, exististe, apenas. Não lutaste, não fizeste força, não quiseste pressionar, não quiseste e a resposta é óbvia  Não sei o que escrever, as palavras não me saem, não são minhas amigas, mas de algum modo elas soltam-se.
Agora, pode custar, mas depois, e de em diante, teimo para que não custe. Mesmo que isso seja quase impossível, sempre que me imagino a teu lado, mesmo que isso me pareça longínquo, mesmo que isso não queira dizer nada, se calhar não fomos feitos um para o outro. A nossa porfia de vida é um tipo de equação impossível que não dá para ficarmos um ao lado do outro, de maneira nenhuma.